Transcrição do episódio
Gerada automaticamente a partir do áudio. Pode conter imprecisões.
Bom dia meus queridos ouvintes da web radio, meu e-mail. É uma enorme satisfação estar aqui com vocês em mais um programa saúde espiritualidade você, um programa que busca associar, refletir o conteúdo da doutrina espírita diante. Dos conhecimentos que nós temos sobre a área da saúde, meu nome é Ricardo Cavalcante. Eu sou membro da associação médico espírita de Botucatu e hoje nós estaremos conversando sobre um tema bastante interessante, que se refere a nossa visão de Deus, a nossa perceção que temos de Deus? Qual é a relação? Que nós construímos com Deus. E o que que isso tem a ver com a nossa saúde?
Será que isso tem algum impacto? Será que tem algum efeito? Muito bem, de modo geral, a nossa visão de Deus, a nossa relação que estabelecemos com Deus, ela é algo que nós trazemos de muito tempo atrás, não é desta existência. Foram muitas e muitas existências, cultivando uma forma de enxergar Deus, uma forma de nos relacionarmos com Deus. São séculos, são milênios que nós alimentamos uma relação que não é uma relação que nos auxilia muito, a forma como geralmente nós nos relacionamos com Deus. É a mesma como fazíamos a 2000, a 3000, a 4000 anos atrás. Não mudou muita coisa, embora muita coisa nós aprendemos nesse tempo.
Muitas coisas foram reveladas nesse tempo, mas nós assimilamos muito pouco quando nós nos deparamos no nosso dia a dia, nessa relação com Deus. Para vocês terem uma ideia de como habitualmente nós nos relacionamos, nós tratamos Deus como se Deus fosse uma pessoa. Isso é muito comum da nossa parte, como se ele fosse uma pessoa como nós, como se ele fosse um ser humano que fica bravo, que não gosta das coisas que a gente possa fazer. Uma pessoa da qual a gente possa barganhar. Olha, se eu der isso, meu Deus, você me dá outra coisa em troca que eu tô querendo. A gente usa muita barganha nas nossas próprias preces.
Muitas vezes a gente tá barganhando com Deus, né? Tá querendo oferecer algo. Olha, meu Deus, se eu deixar de fazer tal coisa que não é muito boa, eu prometo que, né. É eu, eu não faço mais. Mas em troca eu gostaria que o senhor me né conseguisse isso pra mim. Ou que tal situação acontecesse na minha vida, ou que eu conquistasse, né? Determinada condição. E aí a gente começa a pedir. Então é muito comum esse nosso comportamento, então nós acabamos tratando Deus. Como se ele fosse realmente uma pessoa como nós, né? Que aborrece, que fica feliz, né? Alguém que faz troca de favores. Mas de tudo que nós aprendemos ao longo desse tempo, nós já sabemos que Deus não é assim, embora a gente tenha dificuldade de entender isso.
E isso tem impacto. Na nossa saúde, sim. Existem estudos hoje, né? Feitos pela medicina, que mostram que a visão que nós temos de Deus, ela vai ter realmente um impacto ou positivo ou negativo na doença. Vamos começar para que a gente possa compreender bem isso, sobre o impacto negativo que a nossa visão de Deus pode ter na doença. Então, por exemplo, nessa relação que nós temos com Deus, entendendo como se Deus fosse humano como nós, quando a gente se depara diante de uma situação muito difícil na nossa vida, ou quando, por exemplo, a gente se depara diante de uma doença, principalmente uma doença grave, né, que vem muitas vezes, né, que que nos pega de surpresa?
Né? Ou que derruba o nosso alicerce naquele momento em que a gente se depara diante da doença nossa ou de um familiar, né? Que a gente cai numa condição de fragilidade, de vulnerabilidade. Diante daquele momento difícil, muitas vezes, qual é o pensamento que vem na nossa cabeça? Puxa vida, Deus deve ter esquecido de mim, Deus. Não deve tá gostando muito do que eu tô fazendo. Então ele deve tá me castigando ou ele esqueceu que eu existo. Vejam bem, essa é uma visão bastante negativa, porque porque é uma visão que traz muita desesperança. É uma visão que nos coloca numa posição de maior vulnerabilidade, de maior fragilidade, diante de um momento que já é difícil.
Uma outra situação que a gente se depara muito no nosso dia a dia é como médicos, né? Como profissionais da saúde. É também aquela pessoa que, quando ela se vê doente, se vê diante de um problema de saúde mais grave que que ela acaba pensando, Ah, eu não preciso. Eu não preciso fazer nada, porque Deus, que é todo poderoso, ele vai resolver isso. Então não adianta eu procurar um médico, não adianta eu ir numa consulta, não adianta eu procurar um pronto Socorro, ou eu não adianta eu me internar ou me submeter a um tratamento, seja medicamentoso, seja uma cirurgia, porque Deus vai resolver isso por mim.
Deus vai me curar. Esse pensamento muitas pessoas carregam e ele vem dessa visão como se. Nós tivéssemos 11 trato com Deus, né? Como se nós tivéssemos uma relação realmente de uma pessoa com outra. Essas visões, elas são visões deletérias. Sabidamente, hoje, as pessoas que carregam consigo esse tipo de crença são pessoas que acabam tendo suas doenças mais agravadas. Que acabam tendo muito mais dificuldade de receber um tratamento, de alcançarem um êxito, né? Uma cura no tratamento da sua doença. São pessoas que acabam tendo um risco aumentado, muitas vezes de morte, de desencarne. Por quê? Porque não aceitam receber o tratamento, aquela que acha que é castigo.
Muitas vezes ela não quer ser tratada, porque ela sente que se ela for tratada, é como se ela estivesse rompendo. Um trato que com Deus olha, Deus, né? É um castigo, então ele, eu tenho que passar por isso, então eu tenho que sofrer mesmo, então eu não posso nem procurar tratamento como se essa fosse a nossa relação com Deus. Então vale aqui uma reflexão muito grande, né? Quantas vezes nós agimos dessa forma e isso vai ter esse impacto bastante negativo que nós temos. Por outro lado, a gente também tem os impactos positivos. Quando nós enxergamos de uma outra forma? Vejam bem, Jesus esteve aqui conosco, encarnado neste planeta aproximadamente 2000 anos atrás.
E Jesus nos ensinou uma visão de Deus que é completamente diferente dessa, mas que pouco a gente incorporou daquilo que Jesus veio nos ensinar. Jesus diferente do que se enxergava até então. Deus era visto como se fosse um rei. Alguém que está longe, distante lá em cima, né? Alguém como é que comanda tudo, que coordena tudo, que manda em tudo. Mas alguém que tá bem longe de nós. Quando Jesus esteve conosco, ele disse que Deus era nosso pai. Vejam bem, pai. Quando Jesus assemelhou Deus, a figura do pai, ele quis nos dizer que Deus está junto de nós, assim como o pai está, que ele é íntimo de nós, assim como o pai é alguém íntimo, que está ali convivendo conosco o tempo todo, é alguém que nos deseja o bem.
É alguém que se esforce, faz tudo por nós. É alguém que é amoroso, é alguém que perdoa, é alguém que é misericordioso. Vejam, é uma visão completamente diferente, saindo daqueles que achavam lá no passado que Deus, né? Só era agradado quando a gente fazia um sacrifício. O sacrifício de um animal. Quando a gente tinha que fazer uma oferenda, levando algo lá para o altar, Jesus veio dizer o seguinte, olha, a melhor forma da gente agradar a Deus é a gente fazendo o bem ao nosso próximo. Não existe melhor maneira de agradar a Deus. Não existe melhor oferenda para Deus do que ele ver os seus irmãos, os seus filhos.
Desculpem do que ele ver os seus filhos se amando. Manifestando o amor entre si, um ajudando o outro, sendo amoroso, sendo fraterno, sendo solidário. Jesus ensinou para nós que a melhor forma de nós nos conectarmos com Deus é através da prece. Mas daquela prece é sincera, aquela que a gente faz na nossa intimidade, em que a gente abre o nosso coração para Deus, com as nossas qualidades e defeitos. Vejam uma visão completamente diferente. Daquela visão antiga, mais a mais? A visão antiga é muitas vezes a forma como nós estamos nos relacionando com Deus e a doutrina espírita. Ela vem agregar a isso que Jesus me falou, resgatando essa mensagem de Jesus, nos ensinando que é assim que nós devemos enxergar a Deus como Jesus ensinou, me agregando que.
Se nós sofrermos momentos difíceis na nossa existência, se nós passamos por doenças que são graves, que nos comprometem, que nos limitam, isso é fruto da nossa imprudência, das nossas ações que foram equivocadas, seja no passado, nas existências que nos antecederam a essa. Seja na presente existência, nas nossas próprias ações, imprudência com os nossos pensamentos, com os nossos sentimentos, isso é resultado. Essa doença é resultado das nossas próprias imperfeições e que vem através da lei de causa e efeito como uma ferramenta para nos mostrar que as decisões que foram tomadas. Nesta ou nas existências anteriores, foram equivocadas e que nós precisamos construir um novo caminho, jamais um castigo, jamais uma punição.
E se Deus nos oferece potencialidades como a nossa capacidade de pensar, a nossa inteligência, a nossa capacidade de agir? O nosso livre arbítrio para escolher, para tomar decisões, é para que a gente possa desenvolver as nossas potencialidades diante dessas situações difíceis, como é o caso do adoecimento. Então a gente deve ser ativo diante dessas situações. Então a gente tem que buscar realmente os tratamentos. Vamos buscar o que na Terra a gente pode oferecer. Porque se a gente tem um corpo doente, é necessário que a gente busque o tratamento adequado. É necessário que a gente procure o tratamento.
É muito importante que a gente faça essa reflexão, porque se nós continuamos a alimentar essa relação com Deus, nós. Apenas agravamos o nosso sofrimento e não contribuímos para o nosso crescimento espiritual, nem para nossa melhoria, nem para que a gente possa vencer as dificuldades que insurgem no caminho da nossa existência. É preciso que a gente fique atento a essa questão, porque vencer um atavismo, ou seja, vencer. Um comportamento que nós carregamos há milênios. Ele é bastante difícil, mas é possível que a gente consiga modificar essas nossas percepções, sempre procurando refletir, analisar diante dos momentos difíceis, lembrar de tudo isso que a doutrina espírita nos ensina.
Por isso que a leitura é diária, ela é sempre muito útil para nós. Porque ela nos permite nos manter conectados a essa ideia, a essa perceção e nos auxiliar verdadeiramente na construção da nossa fé, da Esperança que nós devemos construir dentro de nós, da resiliência, da abnegação, dessas virtudes que Jesus veio nos ensinar, nos mostrando que este é o caminho. Para o nosso crescimento e para o nosso desenvolvimento espiritual. Fica aqui então para nossa reflexão dessa semana, pensarmos como nós estamos nos relacionando com Deus e como que nós podemos melhorar a nossa saúde diante dessa questão.
Uma ótima semana para todos vocês. Que Deus nos abençoe.