Transcrição do episódio
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Bom dia meus queridos amigos ouvintes da web rádio memei. É uma grande Alegria estar aqui com vocês no programa saúde e espiritualidade. Você meu nome é Ricardo Cavalcante. Eu sou membro da associação médico espírita de Botucatu e nós nos reunimos aqui na web rádio memei todos os domingos às 11:00 da manhã. Com o propósito de refletirmos sobre temas que são relacionados a nossa saúde diante de uma ótica espírita, nós nos últimos 2 programas, estávamos conversando sobre a lei do trabalho e a nossa saúde e já trouxemos uma série de informações que a doutrina espírita nos oferece, refletindo sobre essa questão.
No programa de hoje a gente vai conversar. Uma questão que também está relacionado a lei do trabalho. Lá na terceira parte do livro dos espíritos, no capítulo 3, aonde Kardec fala sobre lei do trabalho, ele também vai comentar o seguinte, poxa vida, se nós temos a necessidade de trabalhar, se a atividade, a ação do espírito, seja no mundo espiritual, seja no mundo encarnado, ela. Precisa acontecer diante do nosso processo de evolução. Sem essa nossa ação, a gente não consegue evoluir. Não existe, então, uma necessidade de um repouso. Será que nós precisamos repousar? Isso está colocado por Kardec lá na questão 682.
Então ele pergunta o seguinte, o repouso não é também uma lei da natureza? Se precisa, se a gente precisa trabalhar. A gente também não precisa repousar e a resposta dos espíritos é, sem dúvida. Ou seja, o repouso também é uma lei da natureza. O repouso serve para a reparação das forças do corpo e também é necessário, para dar um pouco mais de Liberdade a inteligência, a fim de que se eleve acima da matéria. Muito interessante essa resposta. Por quê? Porque mostra pra gente que não é só. O trabalho, só a atividade o tempo todo, mas também é necessário um repouso. Nós temos que pensar que nós que estamos aqui encarnados, nós temos um corpo físico.
E este corpo físico, ele tem algumas necessidades. Uma delas é a necessidade de descansar se nós ficarmos continuamente em estado de vigília, o nosso cérebro ativo como nós, estamos no momento em que nós estamos acordado. Nós não sobreviveremos por muito tempo. A gente precisa dormir, a gente precisa descansar. Isso é uma necessidade física, fisiológica, que nós não temos como negar essa necessidade. Então isso não tem como a gente escapar. No mundo espiritual acontece a mesma coisa quando nós estamos no mundo espiritual. O nosso veículo de expressão será o perispírito e assim como o corpo físico, tem uma necessidade.
O perespírito também terá sua necessidade, diferente do corpo físico que a gente vê nos relatos que aparecem na literatura espírita, principalmente André Luiz, falando sobre essa questão. Ele coloca que a necessidade do repouso para o perespírito é menor do que para o corpo físico, mas ela também existe. Ela Oo perespírito também precisa de um repouso para que ele possa. Recuperar as suas forças para que ele possa é é assimilar os recursos que são necessários para que ele dê continuidade ao trabalho quanto encarnados. Não há dúvida de que nós precisamos do repouso. Aliás, o Descanso, se a gente pensar no período do sono, por exemplo, ele tem outras importâncias que não só a recuperação das forças, mas, por exemplo, o nosso próprio processo de aprendizado.
Ele depende do sono. Nós conseguimos arquivar na nossa mente, arquivar no nosso cérebro as informações que nós aprendemos no nosso dia a dia, no momento em que nós estamos dormindo. Até porque, embora o nosso estado de vigília, ele caia e a gente adormeça o nosso cérebro, ele não para de funcionar. Ele continua trabalhando o tempo todo. E só que ele vai trabalhar em outras funções que não as mesmas quando nós estamos acordados, quando nós estamos no período de vigília, então, são outras atividades que são necessárias para nós. Se a gente pegar, por exemplo, a criança, o próprio processo de crescimento da criança, ele acontece muitas vezes quando quando a criança dorme, isso é importante.
Por quê? Porque a sua fisiologia vai permitir com que ela. Produza hormônio, substâncias que são importantes para o seu crescimento. Então o período do sono, ele é uma necessidade fisiológica. Se nós não dormirmos, nós não sobrevivemos nesse, por isso que o repouso, ele também é uma lei natural, também é uma necessidade, assim como é o trabalho. Então nós precisamos disso, mas qual será? Como que nós sabemos é, qual é o limite. Né, do nosso trabalho, que momento a gente deve parar de trabalhar e a gente deve repousar? Kardec, na questão seguinte do livro dos espíritos, na 683, ele pergunta isso, qual que é o limite da do trabalho?
E os espíritos respondem e deixam muito claro, é o limite das nossas forças, ou seja, cada um de nós, esse limite. Ele não existe um limite que é igual pra todo mundo, mas ele é o limite que cada um de nós. Vai ter. Ou seja, eu consigo trabalhar até aqui, essa atividade eu consigo desenvolver até aqui. Chega num ponto que eu preciso repousar, que eu preciso descansar. Então esse limite é um limite que cada um tem que identificar aonde está o seu, porque essas capacidades são diferentes. Nós temos, por exemplo, pessoas que conseguem é, por exemplo, dormir menos. Elas têm uma necessidade de sono diário.
Menor do que outras e está tudo certo, porque é a característica de cada um. Então a gente tem que entender as nossas condições, né? As limitações do nosso próprio corpo, né? Nas condições que nós temos, para que a gente possa estabelecer aonde está o limite das nossas forças. Mas é importante que a gente identifique para saber assim, olha, eu preciso ter um limite, porque se a gente não identifica esse limite. A gente pode caminhar para um processo de adoecimento quando a gente extrapola esse limite, quando a gente faz além daquilo que a nossa capacidade permite. Isso acontece muito nas pessoas, por exemplo, que estão sobrecarregadas de trabalho, sobrecarregadas de atividade, uma condição que no mundo atual, na sociedade que nós vivemos.
É muito comum porque, porque existe uma ideia, existe um conceito dentro da nossa sociedade de que as pessoas têm que ser muito produtivas, de que as pessoas elas têm que produzir muito, elas têm que fazer muito. Isso é é uma coisa que ela AAAAA pessoa. Ela já desde criança, já vai sendo incutido na cabeça dela aqui. Para ela ter valor na sociedade, ela tem que ser uma pessoa que produza muito. Ela tem que fazer muita coisa. Ela não pode parar, ela não pode descansar. Ela tem que estar sempre gerando, gerando Riqueza, gerando renda, gerando ideias. Ela não pode estar parada. EAEEE esse e esse, essa ideia, esse conceito, ele vai levando o que as pessoas a se sobrecarregarem, ou seja, elas ultrapassam o limite das suas forças, trabalham além do que são, do que é a sua capacidade.
E isso leva ao adoecimento, a sobrecarga de trabalho. Ela leva ao adoecimento, pra vocês terem ideia, isso é um conceito que a ciência traz de uma maneira muito é clara, muito objetiva, porque a gente tem muitos estudos, muitas pesquisas que são desenvolvidas na atualidade e que mostram que a sobrecarga de trabalho ela aumenta o risco de adoecimento. Então, por exemplo, a gente tem estudos. Que mostram que as pessoas que trabalham mais que 55 horas por semana, comparada com aquelas que trabalha 40 horas, seria uma jornada de trabalho. É razoável, né? Ou seja, a pessoa trabalhar 8 horas por dia, né?
Num período aí de segunda a sexta-feira, ou mesmo que seja em outros dias da semana, mas 40 horas semanais é um tempo razoável de trabalho. Então eles pegaram pessoas que. Que trabalhavam mais tempo que isso aqui. No caso, o corte foi 55 horas por semana. O que que eles viram? Que essas pessoas? Elas tinham 13% a mais de risco de ter uma doença coronariana, ou seja, de ter as suas artérias do coração obstruídas por Placas de colesterol e, consequentemente, um risco aumentado de ter infarto. É que é uma complicação grave, uma doença que leva muitas pessoas a morte. Assim como eles viram que essas pessoas que tinham 55 horas ou mais de trabalho semanal tinham 33% a mais de chance de ter um AVC, um acidente vascular cerebral.
Vejam o risco que nós corremos quando a gente ultrapassa o limite das nossas forças. Então é preciso que a gente identifique isso também. Foi visto que essas pessoas, elas têm cerca de 35% de chance a mais. De ter 11 transtorno depressivo. Então mostra também para nós que não é só a saúde física, a saúde mental, ela também fica comprometida. E existe é uma outra condição que está muito associada a questão do trabalho, que é a chamada síndrome de burnout. Ou seja, quando a pessoa, ela entra numa estafa em relação ao seu trabalho, ela fica tão sobrecarregada que aquele trabalho se torna. Uma tortura para ela e ela não consegue mais trabalhar adequadamente.
Aquela pessoa que começa a semana, ela já tá querendo que ela chegue no fim, pra que ela não, não não tenha que lidar com aquele trabalho. Essas condições, né? De sobrecarga de trabalho. Elas são muito comuns no dia de hoje e associado principalmente ao fato que nós já comentamos em programas anteriores da pessoa ainda realizar trabalhos. Das quais ela não se identifica, das quais ela não gosta de realizar. Isso vai agregando um adoecimento. Tanto que isso também é uma estatística que o período da semana que mais as pessoas adoecem é a segunda-feira de manhã. Por que? Porque é a hora que a gente tem que deixar o conforto do lar, do nosso Descanso e ter que ir trabalhar.
Esse momento é um momento. Que muita gente adoece e não adoece propositalmente. Ah, porque eu não quero ir trabalhar mais ela. O fato dela ter que encarar aquela semana toda daquela sobrecarga daquele trabalho que traz desconforto para ela e isso vai gerar adoecimento. Então, é muito importante que a gente tenha essa consciência, saber que a gente precisa respeitar o limite das nossas forças e isso não é algo fácil de ser feito. Porque muitas vezes no trabalho a gente quer ter um desempenho melhor, porque a gente quer ter um ganho maior. Muitas vezes a gente acaba se é extrapolando, assumindo mais responsabilidades do que deveria.
Porque a gente quer mostrar. É competência, porque a gente quer mostrar que a gente tem capacidade para aquilo. E nos esquecemos dos limites que o nosso próprio organismo precisa. Para se recuperar do que a mente precisa para se recuperar. Então, essa é uma reflexão importante para todos nós fazermos. Além da sobrecarga de trabalho, nós temos também um outro contexto ligado a essa questão do repouso que também precisa ser levado em conta. Existem muitas pessoas que trabalham incansavelmente e elas alegam que elas não precisam repousar, elas não precisam parar. Pessoas que trabalham o dia todo é no fim do dia, ainda leva trabalho para casa, tem trabalho para o fim de semana.
E elas nunca param de trabalhar de maneira que elas nunca tem tempo, muitas vezes, para sua família. Elas não tem tempo para conviver com os amigos, para fazer atividades que são fora do ambiente de trabalho. Elas ficam focadas de uma maneira compulsiva àquele trabalho. De modo geral, isso obviamente a gente não pode generalizar para todas as pessoas, mas muitas vezes esses indivíduos que tem esse comportamento, eles estão utilizando o trabalho como uma fuga, uma fuga da realidade. Há alguma coisa que eles não querem muitas vezes enfrentar? Eles não querem, por exemplo, às vezes enfrentar certos relacionamentos.
Então, às vezes, dentro do ambiente familiar, há conflitos que aquela pessoa não quer. Enfrentar ela não quer lidar com aquilo, porque aquilo gera muita dificuldade, muito sofrimento Pra Ela. Então ela acaba utilizando o trabalho como uma forma de fugir dessa condição. Ela pode muitas vezes, né? É estar num, num, num contexto, por exemplo, de um sentimento de culpa. Isso acontece com algumas pessoas, então elas trazem algum sentimento de culpa do passado e uma maneira delas não terem que pensar, que lembrar disso? É trabalhando compulsivamente. Um exemplo dessa situação é trazido pra nós por André Luiz no livro no mundo maior, que é o caso do Pedro e do Camilo, que, se não me engano, a gente já comentou em outras oportunidades aqui, num outro contexto.
Mas aqui gostaria de relembrar desse caso. Por quê? Porque é uma situação em que no passado, né? O Pedro, ele assassinou o Camilo e carregava consigo. Aquele sentimento de culpa por ter matado um indivíduo que foi para ele como se fosse um pai. Foi uma pessoa que cuidou dele, que criou ele, e ele acabou cometendo esse crime. E aí ele não conseguia descansar tranquilamente. E aí como uma maneira dele não ter que lembrar daquilo que ele fez ou de ter que encarar a sua própria consciência, que cobrava ele por aquela atitude ruim que ele teve, ele. Se debruçou sobre o trabalho de uma maneira compulsiva e isso levou ele a um processo de adoecimento muito grave.
É claro que nesse caso, quando a gente vai ler lá no livro mundo maior, a gente vai ver que também teve o agravante do próprio Camilo que no mundo espiritual exercia um processo obsessivo sobre o Pedro, obviamente, porque estava é trazia consigo um ódio muito grande pelo fato do Pedro ter tirado a vida dele. Então a gente ainda tinha esse processo. É agravante, mas aquele sentimento de culpa ele faz com que o Pedro se debruce ao trabalho de uma maneira compulsiva, ou seja, trabalha 24 horas por dia, não descansa quase nada. Até porque o Pedro, quando ele dormia com o que acontecia, ele sonhava com o Camilo.
Então aquilo gerava uma perturbação. Então era melhor não dormir muito, dormir muito pouco, porque para que ele nem tivesse contato com aquela realidade que ele precisava enfrentar. Mas ele não tinha recursos, não tinha forças naquele momento para lidar com aquilo. Mas é um exemplo que traz para nós, para mostrar que esse trabalho compulsivo, esse trabalho que a gente faz, a gente tem que tomar cuidado porque. Porque a gente pode estar se utilizando isso como uma maneira de fugir da nossa realidade, fugir daquilo que a gente precisa enfrentar. É muito bom que na vida e isso quando a gente estuda lá o capítulo 3.
Do do da terceira parte do livro dos espíritos é que a gente precisa ter o quê? Um equilíbrio OA grande. O grande caminho para isso é a gente saber ter um equilíbrio. O equilíbrio entre as atividades que a gente tem que fazer e os momentos de repouso. O momento de repouso, ele é muito importante para nós. E quando a gente fala em repouso, isso também Kardec traz para nós lá, a gente tá falando de 2 coisas, o repouso pode ser primeiro. O repouso propriamente dito, ou seja, nós vamos parar e isso é importante. Eu preciso parar para conviver com a família, é preciso parar para conviver com amigos, com é pessoas, né, que são importantes, né, no nosso relacionamento.
Lembrando que os relacionamentos não estou falando só do relacionamento conjugal, né? Mas de todas as relações, das relações de amizade, das relações. Parentais, ou seja, de nós, com os nossos pais, de nós com os nossos filhos, com os nossos irmãos. Essas relações. Elas são muito importantes na nossa vida. Elas não estão ali por um acaso e é importante que a gente saiba cultivar essas relações na nossa vida, porque isso é salutar para todos nós e cumpre com os nossos propósitos da nossa encarnação daquilo que nós estamos fazendo aqui. Então, a gente dedicar momentos a isso é muito importante. É muito importante a gente dedicar o momento para o lazer, para o Descanso.
Por quê? Porque a gente precisa e isso é relevante. E a doutrina espírita mostra para nós que o repouso, ele pode não não significar apenas simplesmente parar, mas mudar de atividade. A gente pode, por exemplo, utilizar um esporte como uma forma de repouso. Por quê? Porque eu mudo o padrão mental. Olha, eu trabalhei ali o dia inteiro, né, um trabalho muito mental ou um trabalho que. Né? Não tinha nada de relação com o esporte. Se eu paro para praticar um esporte, isso é uma maneira de repouso. Se eu paro, por exemplo, uma atividade para, por exemplo, é experimentar ou praticar ou vivenciar uma forma de arte, a pintura, a música, a dança.
Isso é importante, isso é salutar para nós e isso nos auxilia. Isso permite a gente desenvolver equilíbrio, isso permite a gente desenvolver. É paciência, segurança conosco mesmo. Então, são atividades que podem ser utilizadas como forma de repouso. A meditação é uma maneira da gente repousar, a própria prece é uma maneira da gente repousar. Então fica aqui para nossa reflexão dessa semana, para que a gente possa é, diante de tudo isso, sempre refletir sobre nós mesmos, o que nós estamos fazendo e como nós podemos melhorar. A nossa própria saúde física, mental e espiritual. Que tenhamos uma semana de muita luz, de muita paz.